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Adaptabilidade: gerencie melhor sua vida

30 de outubro de 2020

Você tem se sentido no limite recentemente? Como se o mundo estivesse fora do controle, e cada ano que passa é menos estável que o anterior?

Nesta vida rápida e impulsionada pela tecnologia, muitos de nós se sentem sobrecarregados até nos melhores momentos. Mas adicione uma pandemia global, perturbação econômica gigantesca, revoltas sociais e a crescente ameaça da mudança do clima, e isso é suficiente para fazer qualquer pessoa perder o sono.

Entretanto, com ou sem desastres acontecendo a todo momento, é inegável dizer que as coisas estão cada vez mais rápidas. Desde 1987, o Exército dos Estados Unidos definiu um  novo normal emergente, o estado chamado VUCA (abreviação de Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. Vemos este estado agindo todos os dias, do ritmo perturbante de novas tecnologias e automação até mudanças massivas sobre como e onde trabalharmos. Parece que a vida realmente está em um constante estado de movimento.

Então, se você está sentindo mais ansiedade ou uma sensação de vai se perder ou de que está perdendo algo, isso é normal. Não é culpa sua. E a boa notícia é que isso é corrigível.

Não dá pra sempre saber ou controlar o que o amanhã reserva, mas você pode controlar a reação à mudanças. Você vai afundar e se afogar, ou vai encontrar um chão firme e aproveitar as novas oportunidades? Sua adaptabilidade, junto com as características sobrepostas de resiliência e inteligência emocional, podem mudar o equilíbrio da balança.

Então, que realmente significa adaptabilidade?

Ser adaptável não significa “seguir o fluxo” e deixar que as correntes levem você. Assim, identificam-se três componentes de adaptabilidade:

  • Ajustar suas ideias e pensamento em resposta à mudança
  • Gerenciando respostas emocionais positivas e negativas para mudanças
  • Alterando seu comportamento em resposta a mudanças

A verdadeira adaptabilidade começa com o pensamento racional e termina com a ação deliberada. É um pensamento de crescimento, uma compreensão de como se adaptar para mudanças, que qualquer um consegue cultivar através da autorreflexão, pensamento criativo e ação intencional. Em poucas palavras, você aprende a evoluir.

Esteja pronto para qualquer coisa

Como notado pela treinadora executiva Jennifer Jones em um TED Talk de 2017, “estamos perdendo a capacidade de adaptação porque não estamos separando tempo e atenção para nos prepararmos e desenvolvermos. Estamos pulando de mudança para mudança, agindo por impulso, e não por estratégia.

Aqui estão três conjuntos de ferramentas específicas que você pode usar agora mesmo para construir aquela estratégia, tornar-se mais adaptável, e navegar até mesmo a mudança mais assustadora:

1. Siga o seu Norte

Com um mundo em constante mudança, seus objetivos e planos podem se tornar obsoletos da noite para o dia. O que acontece depois disso?

Para responder esta pergunta, imagine se alguém te soltar em uma parte desconhecida do mundo, no meio da floresta. Como você encontra seu caminho para casa? Primeiro, você precisa saber onde está o norte.

Para se tornar mais adaptável, você precisa de metas grandes o suficiente para fornecerem um verdadeiro norte na sua vida. Você também precisa de autoconhecimento suficiente para desenhar um mapa e descobrir onde você está com relação a estes objetivos.

Tome uma atitude:

  • Encontre o seu Norte: Faça as seguintes perguntas para si: Qual é o meu objetivo pessoal ou profissional? O que me deixa preenchido como ser humano? Que parte de mim é tão fundamental que mudanças externas não podem arruiná-las? Anote suas respostas.
  • Identifique marcos: Que talentos, habilidades, ou experiência você tem agora que poucos outros possuem? Um domínio de JavaScript? Um dom de fazer bolos? Um conhecimento enciclopédico dos quadrinhos da Marvel? Faça um inventário, escreva tudo, e não tenha timidez.
  • Faça um mapa: Criando um Mapa de Vida ajuda você a se conectar entre o seu norte e onde você está hoje. Pegue um papel e marcadores e você consegue concluir tudo em uma hora.
  • Divida seus planos: Assim que você tiver a ideia completa, proteja seus planos ao dividi-los em escalas de curto, médio e longo prazo. Faça planos detalhados para a próxima semana ou duas, defina marcos gerais para os próximos meses, e limite o longo prazo a um ou dois princípios-chave.

2. Aumente sua zona de conforto

Adaptar-se a mudanças é difícil se você está preso em um padrão comum. Ficamos em nossa “zona de conforto” porque é seguro e previsível, mas também porque isso nos prende. Estamos confortáveis com o que sabemos. Aprender e crescer precisa de mais.

Fora da zona de conforto, as coisas podem ser assustadoras. Quando nossa situação muda demais e rápido demais, a zona de conforto desaparece junto, deixando-nos em uma “zona vermelha”de ansiedade e pânico. É aí que nossos instintos de “luta ou fuga” tomam conta. Mudar para o reflexo é uma boa habilidade de sobrevivência quando você enfrenta um tigre devastador, mas nem tanto quando temos que adaptar nossas vidas e negócios ao distanciamento social ou forças de mercado em mudança.

Felizmente, você não precisa escolher entre conforto e pânico. (Ufa!) Há uma terceira zona no meio do caminho: a zona de aprendizado. Nela, nos tornamos mais adaptáveis. Entramos nesta zona quando nos envolvemos com novas ideias, praticamos a criatividade ou aprendemos novas habilidades. Quanto mais tempo você passa na zona de aprendizado, mais possibilidades alternativas descobre. Finalmente, sua zona de conforto se expande e sua zona de pânico diminui. E é aí que vem a próxima dica:

Tome uma atitude:

  • Liberte sua curiosidade: Abra-se a novas ideias e influências. Leia livros em categorias que você normalmente não o faria e anote suas reações. Aumente sua bolha de redes sociais para incluir especialistas dentro (e além!) do seu campo. Separe sua rotina diária e tenha novas experiências.
  • Aprenda novas habilidades: Aumente seus horizontes ao aprender novas habilidades que complementam as que você já possui. Se você ama fotografia digital, tirar fotos em preto e branco pode ensinar você a desacelerar e enxergar um objeto com um novo olhar. Se você é bom em programação, ter uma aula de design pode dar a você uma compreensão mais profunda sobre como outros interagem com o seu trabalho.
  • Exercite seus músculos criativos: Você pode não pensar em si mesma como uma pessoa criativa, mas você realmente é. E se você já é, você está no caminho certo. Escrever, arte, improvisação e música são maneiras poderosas de melhorar a flexibilidade mental. E há cada vez mais provas que elas podem literalmente reprogramar o seu cérebro. Que bacana, não?
  • Mantenha a inspiração ao alcance: Você se depara com ideias, artigos e imagens interessantes todos os dias; coisas que podem não se aplicar à sua vida agora, mas podem ser úteis mais tarde. Não deixe que elas escapem! Ou seja, anote, tire fotos, digite tudo o que precisar para mais tarde.

3. Aprenda com os seus erros (e com os seus sucessos)

Por enquanto, você vem preparando o terreno para uma versão mais adaptável de si mesmo. Você possui um mapa de orientação. Expandiu sua zona de conforto, então o desconhecido é menos ameaçador. O próximo passo é colocar a adaptação na sua rotina. Lembre-se, a adaptação não é só seguir o fluxo, é uma mentalidade impulsionada pela prática constante.

Isso significa que você precisa ser mais autoconsciente, e ter disposição para fazer críticas honestas e construtivas a si mesmo. Crie o hábito de gravar seu progresso. Direcione o seu foco nas coisas que estão dando certo, descarte o resto, e busque novas alternativas.

Tome uma atitude:

  • Grave sua vida: Manter um diário é uma ótima maneira de acompanhar e compreender seu estado emocional. Um diário pode ajudar você a identificar gatilhos de stress, avaliar suas respostas e trabalhar nos seus problemas ou medos. Tudo isso importa quando você precisa responder a uma situação desafiadora.
  • Catalogue seus fracassos: Isso pode parecer uma passagem para a baixa autoestima, mas um registro de fracassos acaba sendo uma ferramenta poderosa para o crescimento. Procure os motivos específicos pelos quais as coisas não deram certo. Você precisa de mais treinamento? Um plano melhor? Mais suporte dos seus colegas? Como você pode se preparar melhor para a próxima tentativa? A lição é não é que você errou, mas que pode melhorar.
  • Dê um pouco de amor a você mesmo: Olhar para suas falhas pode ser muito pesado emocionalmente, então certifique-se de equilibrar o negativo com o positivo. Acompanhe suas pequenas vitórias e todas as coisas que ajudam você a crescer: sua leitura, aulas, treinos e caminhos criativos. Pense em criar um diário de gratidão ou uma “lista de concluídos” para se lembrar de tudo que está dando certo. Provavelmente há mais do que você imagina.

Remixe, reconstrua, repita

Nossa última dica é a mais simples: Separe um tempo cada semana para revisar como as coisas estão indo. Mantenha esse compromisso consigo mesmo, porque é aqui que tudo se junta.

Olhando para o seu diário, faça a seguinte pergunta: o que está dando certo e o que não está? Que novas ideias você adicionou ao seu caderno de inspirações que pode te colocar mais alinhado com o seu Mapa de Vida? Que projeto ou habilidade você deve perseguir no futuro?

Às vezes, adaptar-se é fácil. Se a pandemia acabou com os seus planos de ir na academia três vezes na semana, você sempre pode treinar em casa. Outros desafios são bem mais difíceis, mas ainda gerenciáveis. Se você perdeu seu emprego, por exemplo, pode se reagrupar. Use seu inventário, Mapa de Vida e habilidades criativas para fazer uma “tempestade de ideias” de novas oportunidades, ofereça suas habilidades como freelancer, fazendo parcerias com outras pessoas em troca de suporte mútuo, ou mudando os caminhos da carreira.

Conforme você considera outras opções, procure conexões inesperadas. Pratique o pensamento convergente e divergente para fazer o máximo ideias possíveis e escolha as melhores. Acima de tudo, foque em soluções, e não problemas. Ajuste sua visão, mude seu comportamento, e veja o que acontece.

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