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Consciência negra: Apenas um dia não é suficiente

20 de novembro de 2019

O dia 20 de novembro, nomeado de Dia da Consciência Negra, é datado e marcado pela morte de Zumbi dos Palmares. Zumbi foi uma figura histórica, forte atuante nas lutas do movimento negro, é  um símbolo da luta por igualdade.

Esta também é marcada pela grande contribuição de pessoas negras na construção de nosso país, que nos dias atuais, é completamente miscegenado. Significando, atualmente, o empoderamento, representatividade e pertencimento de um povo, que é além de cultura, aprendizado.

A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003. Em 2011, a Lei 12.519 decretou oficialmente a data como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra como feriado. Entretanto, a data não é tida como tal em nenhum município do Estado.

Estamos em anos de reparação histórica. Cotas, maior inserção de pessoas negras no mercado de trabalho e no ensino superior, assim como houve um grande salto nas pesquisas de empreendedorismo.

Segundo o SEBRAE, quase metade das mulheres negras, isto é, 49 % empreende por necessidade no país. A precarização, o pouco olhar das políticas públicas e sobretudo a falta de opção de renda leva essas mulheres a exercerem a prática com muito pouco conhecimento. O tratamento das questões racial e de gênero como questões para a real compreensão da sociedade é um problema porque ofusca as relações de exploração que estruturam essas construções.

No caso da questão racial, a sublocação da força de trabalho negra na economia é evidente em estatísticas recentes do mercado de trabalho brasileiro. 

Segundo a Organização da Nações Unidas, por exemplo, colocam a questão racial no centro das relações de trabalho até hoje: a cor da pele é um componente central e estruturante nas desigualdades no Brasil, afetando o acesso ao emprego e a maiores níveis de desenvolvimento. Desta forma, a questão racial se torna fundamental para a compreensão dos mecanismos de perpetuação da superexploração nas economias dependentes.

O que deve ser enfatizado, do ponto de vista teórico, que o racismo – consequente de meio milênio escravagista – como processo histórico, político e econômico, cria as condições sociais para que grupos racialmente identificados sejam explorados de forma sistemática. Logo, apenas um dia para entender sobre a Consciência Negra não é suficiente. Pois não é somente este dia que temos para pensarmos em outras formas de inclusão que não levem a repressão, segregação e opressão.

E isto, adentrando a todas os outros aspectos que aprofundam a questão, tornando-a cada vez mais densa:

As campanhas publicitárias e seus perfis de beleza ideais, a glamourização das favelas, a masculinidade tóxica (que atinge muito mais aos homens negros), o elitismo, o colorismo entre as próprias pessoas negras e pardas faz com muitos e muitas de nós realmente acredite que traços finos e claramente europeus são o auge da beleza.

Ainda sim, é sempre importante lembrar que muitos e muitas ganham visibilidade nas mídias sociais, se achando revolucionários em tempos onde as minorias acabam acendendo cada vez mais com seus discursos feitos em mídias alternativas, roubando da forma que podem esse protagonismo. Para deixar claro: o protagonismo deve ser dado e não conquistado, uma vez que sempre foi desse povo.

O Brasil é o próximo lugar que vem a mente, além do próprio continente africano que mais tem pessoas negras no mundo. A democracia racial criada em tese pelo sociólogo Gilberto Freyre é um grande e inacreditável mito. Se briga por representatividade desde a virada do século e ainda estamos engatinhando como bebês. Porém, coletivos como o norte-americano Afropunk e o Clube Social Negro Seis de Maio que fica aqui em Gravataí, por exemplo, estão mudando esta situação. Para colocar nossos e nossas jovens negras em evidência, e dá-los uma posição neste mundo que não os leve à violência e à morte precoce.

Para finalizar, reflitamos a respeito desta data com a frase da filósofa Angela Davis: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”

 

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